segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Redação - Questões discursivas com gabarito comentado




1. (Uepg 2013)  Leia os fragmentos abaixo e elabore um texto de opinião dissertativo-argumentativo sobre a busca pelo corpo perfeito.

Portadores de vigorexia não medem esforços para deixar o corpo cada vez mais em forma

Movidas por uma insatisfação com o próprio corpo, algumas pessoas passam horas fazendo musculação e controlam excessivamente a alimentação para conseguirem adquirir músculos e se sentirem mais bonitas. Essa atitude pode indicar um distúrbio psicológico chamado vigorexia. "É o contrário da anorexia. Ao invés das pessoas desejarem ficar mais magras, querem ficar cada vez mais musculosas", explica o professor Marcos Polito, vice-coordenador do mestrado em educação física da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Não há estatísticas de quantos são os vigoréxicos no Brasil, mas Polito acredita que a doença é mais comum do que se imagina, principalmente no caso dos homens.

Adaptado de: Carol Manhani, disponível em http://www.jornaldelondrina.com.br/edicaododia/conteudo.phtml?id=971661, acesso em junho de 2012.

Nosso mundo é cheio de padrões a serem seguidos, como o padrão de beleza, que submete as pessoas a uma busca incessante por atividades ou decisões radicais. Beleza, no entanto, não significa saúde, mas pela busca desse ideal muitos lançam mão de tudo, perdendo não apenas a saúde como também o prazer de viver sem culpa.

Adaptado de: Maria Luiza Gorga, disponível em http://www.educacional.com.br/articulistas/outrosComportamentos_artigo.asp?artigo=artigo0066, acesso em junho de 2012.


Resposta:

Dois textos publicados na internet servem de apoio para uma dissertação argumentativa cujo tema deve abordar a busca do corpo perfeito. O primeiro informa sobre a vigorexia, transtorno psicológico que acomete, sobretudo, o universo masculino, e ocorre quando o volume e a intensidade de exercício físico praticado excedem a capacidade de recuperação do corpo, ao mesmo tempo que provoca uma distorção de imagem que o indivíduo tem de si mesmo. O segundo texto alerta para a ditadura do padrão estético da sociedade atual, que privilegia a beleza física e submete as pessoas a um ritmo de atividades físicas radicais ou a condutas irracionais que prejudicam a saúde ou restringem a sua liberdade. Causas e consequências poderiam formatar a tese inicial que associaria insegurança, falta de maturidade, baixa autoestima e ansiedade na obtenção de resultados em curto espaço de tempo, para explicar como fatores psicológicos podem induzir as pessoas a ultrapassarem os seus próprios limites e por em risco a própria vida. A tese poderia ser referendada através da enumeração de índices amplamente divulgados na mídia: intenso crescimento da venda de medicamentos para emagrecimento, o consumo de anabolizantes, excesso de alimentação baseada em proteínas, ingestão de anfetaminas e inibidores de apetite em dosagens perigosas que comprometem a saúde e podem gerar quadros patológicos de difícil solução médica. A conclusão deveria parafrasear a tese inicial, resumir os argumentos de forma coerente ou apresentar proposta de solução.



  
2. (Insper 2012)  Reflita sobre as ideias apresentadas nos textos a seguir e desenvolva uma dissertação em prosa.

Abordei no mês passado o caráter patológico dos suicídios, que tendem a ocorrer em séries. Sabe-se ainda que massacres do tipo Columbine também têm acontecido de forma epidêmica, como se um episódio engatilhasse o seguinte, seja pela celebridade imediata que confere aos seus perpetradores, seja pelo impacto que provoca na sociedade.
Agora vimos os saques em Londres varrer a Inglaterra de ponta a ponta também como numa pandemia. O que quer dizer tudo isso? Que, se antes éramos assolados por cólera, gripe espanhola e outras pragas, agora a grande moléstia que nos ameaça é uma coleção de epidemias comportamentais? Talvez seja difícil entender esse tipo de violência que não está diretamente ligado exclusivamente à diferença social e à miséria, e declarações de David Cameron e da direita do Parlamento londrino de que esses atos são “puro crime” mostram quanto esses políticos estão fora de sintonia com a realidade.
Intelectuais e sociólogos que pesquisam a questão afirmam que a violência é sim uma epidemia, uma nova moléstia social, derivação das inúmeras patologias urbanas. Resta saber se será possível inventar uma “vacina” contra esse novo tipo de gripe espanhola.

http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/42_PATRICIA+MELO

Mais bonzinhos do que nunca

Alguém que afirme que os últimos 100 anos foram os mais pacíficos da humanidade certamente não conhece história. Não sabe dos 55 milhões de mortos da Segunda Guerra Mundial, do extermínio de 6 milhões de judeus no Holocausto e do brutal desaparecimento, entre 2003 e 2010, de pelo menos 300 mil pessoas na guerra civil de Darfur, no Sudão. Isso sem falar do terrorismo, que, apenas neste século que se inicia, já matou milhares nos Estados Unidos, na Europa e em dezenas de países da Ásia e do Oriente Médio. Se isso tudo parece distante, ainda há a violência urbana: os moradores das grandes metrópoles se sentem crescentemente assediados por vândalos, assassinos e ladrões. A sensação de que a violência permeia nossa vida (reforçada pelo fato de que vivemos cercados de policiais ou seguranças) desafia qualquer um a defender o pacifismo, ainda que relativo, dos últimos 100 anos. O psicólogo canadense Steven Pinker não é tolo nem ignorante, mas se lançou à tarefa de demonstrar que o mundo nunca foi um lugar tão seguro para viver.
(...)
Para sustentar a tese de que nunca se matou tão pouco na história, Pinker muniu-se de dados que sugerem a tendência cada vez mais pacífica da humanidade. Os cálculos, na maior parte das vezes, são emprestados de outros especialistas, como do criminologista europeu Manuel Eisner. Pesquisando em arquivos históricos, Eisner constatou que as taxas de homicídios em países da Europa têm caído século após século. Na Londres do século XIV, a cada 100 mil habitantes, 50 morriam assassinados. Hoje, a mesma estatística em Londres é de dois assassinatos por 100 mil. Na Europa como um todo, o número de mortes violentas por 100 mil varia entre um e três.

http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/10/mais-bonzinhos-do-que-nunca.html

Tema/Título: Violência, uma epidemia?


Resposta:

Os textos de apoio que antecedem a proposta de dissertação que responda à pergunta do tema “Violência, uma epidemia?” oferecem subsídios para o desenvolvimento de um assunto que deve ser abordado de forma ampla, como fenômeno que acontece em escala mundial. O primeiro, de Patrícia Melo, faz referência à série de suicídios e massacres como o de Columbine e os saques que varreram Londres nos últimos tempos, os quais, segundo a autora, não podem ser justificados por condições de pobreza nem considerados “puro crime” conforme insinuou David Cameron e a direita do Parlamento londrino. O segundo, publicado na internet, desmente a concepção de que o século XX tenha sido o mais pacífico da história da humanidade e comprova a tese com a enumeração de conflitos que vitimaram milhares de pessoas: Segunda Guerra Mundial, extermínio de judeus no Holocausto, guerra civil de Darfur, terrorismo nos Estados Unidos, na Europa e em dezenas de países da Ásia e do Oriente Médio. Também a violência urbana, nas suas mais diversas manifestações, é comprovativa de que os últimos cem anos não constituem modelo de pacifismo. Assim, seria válido argumentar que o desrespeito aos direitos humanos está presente nas ações dos mais diversos grupos que atendem aos seus próprios interesses, numa falência de valores éticos e morais que parecem acompanhar um modelo de globalização que não atende às necessidades vitais das populações em geral. A invasão de territórios, o desrespeito às culturas locais, a fragmentação do poder estatal condicionado a interesses financeiros que se sobrepõem às necessidades da maior parte da população, a política de crescimento econômico baseado no consumo e a dilapidação de recursos não renováveis são, entre outros, elementos catalisadores da onda de violência que assola a humanidade nos últimos tempos e se manifesta nas suas mais diversas facetas.



  
3. (Ufpr 2012)  Abaixo, há os parágrafos iniciais de um texto de Fernando Rodrigues publicado na Folha de S. Paulo, em 12/11/2011. Escreva uma continuidade para esse texto, observando as seguintes recomendações:

· ter de 6 a 8 linhas;
· apresentar uma articulação clara com os parágrafos iniciais;
· introduzir informações novas, que garantam a progressão no tratamento do tema;
· concluir o texto de forma coerente.

Uma lei imperfeita

O título deste texto é um pleonasmo. Não há leis perfeitas. A Lei da Ficha Limpa é também cheia de qualidades e de defeitos.

O seu maior mérito é impedir a candidatura de quem já está condenado por uma instância colegiada, de mais de um juiz. O Supremo Tribunal Federal deu indicações de que aceitará como constitucional esse trecho. A regra terá um efeito profilático após algumas eleições.


Resposta:

Para dar continuidade ao texto de Fernando Rodrigues há que, primeiramente, manter o discurso em 3ª pessoa e atender ao critério de coerência através da interpretação correta das opiniões emitidas pelo autor sobre a Lei da Ficha Limpa. No primeiro parágrafo, adverte que, como todas as leis, esta não é perfeita, portanto admite que é passível de críticas, para, no segundo parágrafo, destacar o objetivo principal que é impedir candidaturas de políticos que estejam condenados por um grupo de pessoas habilitadas e credenciadas para tal. A lei, aprovada no Senado em 2010, torna inelegível por oito anos um candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou for condenado, mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos. Baseou-se num projeto de iniciativa popular com participação maciça de vários setores sociais que, inconformados com os flagrantes casos de corrupção, tinham como objetivo tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades.



  
4. (Ufes 2012)  REDAÇÃO

Sírio Possenti afirma, em Os humores da língua (Campinas: Mercado das Letras, 1988. p. 25-26), que piadas são “um tipo de material altamente interessante” para estudo, porque [1] “praticamente só há piadas sobre temas que são socialmente controversos” (sexo, política, racismo, crenças, escola, loucura, morte, desgraças, deficiências físicas, etc.), [2] “piadas operam fortemente com estereótipos” (judeu avarento, português estúpido, gaúcho enrustido, marido traído, esposa infiel, mineiro esperto, loura burra, etc.), [3] “piadas são quase sempre veículo de um discurso proibido, subterrâneo, não oficial” (casamentos por interesse, governos corruptos, professores incompetentes, religiosos sem vocação etc.). Assim sendo, com frequência, episódios relacionados ao humor causam constrangimento quando vêm a público, via internet, TV, jornais impressos e outras mídias.

Escreva um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se quanto à questão: O humor pode ter total liberdade ou deve ter limites éticos ou morais? Inclua, em sua argumentação, pelo menos uma piada que possa ser tomada como exemplo para o ponto de vista desenvolvido.


Resposta:

A redação deverá ser iniciada com uma tese em que se defenda claramente a liberdade total ou a imposição de limites relativamente ao humor. O texto do enunciado reproduz opiniões de Sírio Possenti, professor-titular do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de livros sobre gramática, Língua portuguesa e análise do discurso, que explicam o uso de temas controversos que transmitem estereótipos e se tornam instrumento de discursos socialmente inaceitáveis em muitos episódios humorísticos. No final do enunciado que antecede a proposta, alerta-se para o fato de muitos deles terem gerado constrangimentos quando se tornaram públicos. Se, por um lado, o humor é diversão, por outro, pode estimular o preconceito ou ferir a dignidade da pessoa ou grupo visado. Para atender à solicitação da banca examinadora, deveria ser apresentada uma piada que ilustrasse o ponto de vista desenvolvido, por exemplo, o episódio em que se envolveu o humorista Rafinha Bastos.



  
5. (Ucs 2012)  REDAÇÃO

Serão apresentadas duas propostas de temas para a sua redação.
Escolha apenas uma delas e redija um texto dissertativo, manifestando, de forma explícita, seu posicionamento crítico, com a devida argumentação, sobre a questão abordada pela proposta. Considere a hipótese de esse texto ser publicado numa revista de circulação nacional.

PROPOSTA 1

Segundo o dicionário Houaiss, a palavra ganância pode significar desejo de ganho ou lucro. A essa palavra também está ligada a ideia de ambição exagerada.

O que você pensa das pessoas que são gananciosas? Você considera esse um sentimento positivo ou negativo? A quem a ganância pode beneficiar ou prejudicar?
Posicione-se a respeito deste assunto, citando argumentos e evidências que fundamentem a tese por você defendida.

PROPOSTA 2

O celular é um objeto contraditório: por um lado nos aproxima de quem está distante de nós; por outro nos afasta de quem está ao nosso lado.

(Tulio Milman)

Como você avalia o papel atual do telefone celular? Ele facilita ou dificulta nossa vida?
Posicione-se a respeito deste assunto, citando argumentos e evidências que fundamentem a tese por você defendida.


Resposta:

PROPOSTA 1

O tema solicitado exige uma reflexão sobre a ganância, ambição exagerada, usando argumentos que devem defender ou rejeitar comportamentos obstinados na realização de conquistas ou na busca de satisfação de desejos a qualquer custo. Para respeitar os princípios éticos que devem regular as ações humanas, a tese deveria abordar os aspectos positivos da ambição exagerada, quando existe desejo de superar carências psíquicas ou físicas que impeçam o desenvolvimento equilibrado do ser, ou rejeitar esse tipo de comportamento quando os meios para atingir as metas estabelecidas prejudicam terceiros. Embora o lucro esteja a maior parte das vezes associado ao acúmulo de riquezas materiais, o desejo de ganho e a postura obsessiva na conquista do resultado estão presentes também na busca do crescimento pessoal mesmo quando a realidade apresenta obstáculos insuperáveis. O pianista João Carlos Martins, que virou maestro após perder o movimento das mãos, Hellen Keller que ao longo da vida desenvolveu métodos para superar as suas carências de visão e audição, os cientistas que investigam acirradamente na tentativa de superar teses já referendadas academicamente são alguns exemplos de ambição positiva. No entanto, a ambição exagerada pode dar origem a disfunções comportamentais que redundem em incompetência e baixo desempenho, além de prejudicarem os laços éticos que devem permear as relações sociais. Muitas empresas acabam usando a ambição para aumentar o desempenho e produtividade, sem atender ao fato de que indivíduos que não exploraram os princípios éticos destroem ideias e cargos de outros para que seus desejos sejam satisfeitos. Assim, o sucesso que adviria do trabalho coletivo, heterogêneo e, por isso, mais criativo e estimulador, é restringido ao espaço egocêntrico do funcionário que não vê limites para conquistar o que deseja, colocando em risco os próprios interesses da empresa. Ampliando os aspectos negativos para um âmbito mais geral, poderiam ser citados ainda: a crise econômica internacional, deflagrada pela ganância de altos executivos que lideram os mercados financeiros, o crime organizado que invade nações, governos e partidos políticos para desviar ilicitamente recursos públicos, a agressão ao meio ambiente que põe em risco a vida no planeta, as invasões bélicas em áreas estratégicas para imposição de condutas políticas de dominação. A conclusão deve parafrasear coerentemente a tese inicial ou resumir brevemente os argumentos apresentados.


PROPOSTA 2

O comentário do jornalista Túlio Milman serve de apoio para uma reflexão sobre o uso do celular, instrumento de comunicação que, dependendo do critério com que é usado, pode ser benéfico ou prejudicial. Na verdade, os celulares, que inicialmente serviam apenas para falar, começaram a ser cada vez mais apetrechados com novos recursos e hoje fazem parte do cotidiano a ponto de assumirem um papel importante na vida de todos os que têm acesso às novas tecnologias de comunicação. Trata-se de uma “ferramenta” pessoal cuja mobilidade permite uma conversação imediata em qualquer lugar e a qualquer hora, o que constitui um elo muito eficaz no inter-relacionamento social. Além do mais, oferece uma garantia de segurança, pois, em caso de necessidade, pode ser eficaz na busca de ajuda e rapidez de resultado. No entanto, a imediatez e o ritmo agitado que caracterizam a sociedade da informação provocam comportamentos negativos, muitas vezes acionados compulsiva e inconscientemente. O uso do celular na condução de veículos ou quando se caminha na via pública pode colocar a própria vida e a de terceiros em risco. Muitas vezes, cria hábitos que afetam o convívio direto com os outros, contribuindo para o afastamento social e visual. Assim, o controle da conectividade e do uso que se faz dela tornou-se parte significativa nas regras de conduta social. Se é unanimemente aceito que se desligue o celular durante uma representação teatral, uma sessão de cinema ou no decurso de uma aula, também é recomendável que não se atenda uma chamada durante uma conversa com outra pessoa ou enquanto decorre um jantar. A conectividade ou a mobilidade nem sempre são sinônimos de qualidade de comunicação, por isso é necessário que se racionalize o uso do celular para que este atenda às necessidades reais do indivíduo e não o subordine às exigências imediatistas de uma sociedade desumanizada.

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